O ponto de partida
Em abril de 2026 assumi o SEO de uma empresa de engenharia B2B que emite laudos e faz adequações a normas regulamentadoras, NR-11, NR-12 e NR-13, para indústrias. Serviço técnico, venda consultiva, cliente que pesquisa antes de ligar. O site tinha nove páginas de serviço e 33 artigos, e o Google Ads rodava havia quase dois anos.
Em agosto, o site recebeu 449% mais cliques da busca orgânica do que em abril. No mesmo mês, pela primeira vez, a empresa soube quantos contatos o site gerou: 84. Antes disso, o número oficial era zero, porque nada estava sendo medido.
Vou contar o que estava errado, em que ordem corrigi e o que eu faria diferente. O nome da empresa fica de fora; os números são do Search Console, do GA4 e do Google Ads dela.
O que estava quebrado sem ninguém ver
A primeira auditoria achou vários problemas pequenos e silenciosos. Nenhum aparecia no painel de ninguém.
O Google Ads nunca tinha registrado uma conversão. O código do site mandava o evento de contato só para o GA4, e nenhum aviso chegava à conta de anúncios. Na prática, a campanha passou dois anos otimizando lance sem saber o que era um cliente. O lance automático do Google precisa de conversão para aprender; sem ela, ele compra clique.
O formulário da página inicial descartava tudo o que era digitado. A pessoa preenchia, clicava em enviar e nada acontecia: não ia para e-mail, não abria WhatsApp, não mostrava confirmação. Ficou assim em produção por um tempo que ninguém soube dizer.
Dez artigos do blog estavam vazios, exibindo "conteúdo em breve", e mesmo assim estavam no sitemap. Um deles era justamente a página do termo com 3.600 buscas por mês. Para o Google, era uma página fina sobre o assunto mais procurado do nicho.
E catorze endereços antigos, de uma versão anterior do site, redirecionavam para a lista do blog em vez de ir para o artigo correspondente. Cada um desses links externos perdia o valor no caminho.
O padrão que vejo se repetir: empresa B2B raramente perde para o concorrente por falta de conteúdo. Perde por coisa quebrada que ninguém mede. Antes de escrever o primeiro artigo novo, vale abrir o formulário, preencher e ver se o contato chega.
A ordem do trabalho
O trabalho andou em quatro frentes. A ordem real não foi a ideal, e conto isso de propósito.
Comecei pelo que dava resultado mais rápido no orgânico: redirecionamentos corrigidos, títulos e descrições das páginas que já apareciam e não eram clicadas, e os primeiros artigos novos. A medição veio em agosto. Olhando para trás, ela deveria ter vindo primeiro, porque cada mês sem medir é um mês de verba de anúncio decidida no escuro.
Medição antes de verba
Montei três conversões na conta de anúncios: envio de formulário, clique no WhatsApp e clique no telefone, cada uma com um valor de referência para o lance automático ter o que comparar. O formulário da página inicial passou a funcionar como o da página de contato, abrindo o WhatsApp já preenchido. No GA4, os contatos viraram eventos-chave, separados por canal.
O primeiro mês com medição mostrou duas coisas que mudaram o planejamento.
A primeira: dos 84 contatos de agosto, 79 vieram pelo WhatsApp e só 5 pelo formulário. Isso é comum no B2B brasileiro e quase nunca está no relatório. Quem mede só formulário enxerga 6% da demanda e conclui que o site não vende.
A segunda: o custo por contato variava muito entre campanhas. A média ficou em R$ 70,54, mas um serviço de nicho da empresa trazia contato a R$ 38, enquanto as campanhas das normas mais disputadas ficavam entre R$ 90 e R$ 109. Sem medição, as quatro campanhas pareciam iguais. Com ela, a verba de setembro foi redistribuída.
Se você quer montar algo parecido, o caminho que uso está em como rastrear tráfego de IA no GA4 e em BI para SEO.
O site que pré-carregava 98 imagens
O PageSpeed no celular dava nota 25 de desempenho. A primeira suspeita era o tamanho das imagens, mas a causa estava em outro lugar: a ferramenta que gerava o site mandava o navegador baixar com prioridade alta todas as imagens que existiam no projeto, em todas as páginas. A página de contato, que não mostra nenhuma delas, pedia 98 imagens antes de qualquer outra coisa.
Corrigida a geração, cada página passou a pedir uma ou duas imagens em prioridade. O JavaScript da página inicial caiu de 2,2 MB para 412 KB. Medido contra o site no ar, o desempenho foi para 94 a 99 nas dez famílias de página, com acessibilidade acima de 90, boas práticas e SEO em 100, e nenhum deslocamento de layout.
Não vou atribuir o crescimento de cliques a essa correção sozinha, porque ela entrou em produção em 11 de agosto, no meio do mês. O que ela fez com certeza foi parar de desperdiçar o tempo de carregamento de quem chegava pelo anúncio. Os critérios de medição estão em Core Web Vitals em 2026.
Conteúdo com arquitetura, não com volume
O blog foi de 33 para 94 artigos entre maio e agosto. Mais que a quantidade, o que fez diferença foi a regra que organizou esses artigos.
Cada norma virou um pilar: uma página de serviço forte, que concentra a intenção de contratar, e artigos em volta que respondem às dúvidas de quem ainda está pesquisando, como periodicidade de inspeção, documentação exigida e o que acontece sem prontuário. Todo artigo aponta para o pilar, e o pilar aponta de volta para os artigos.
Landing page nova só entrou quando o termo não competia com o pilar: uma cidade específica, um equipamento que o pilar não citava ou o nome técnico de um laudo. Propostas de landing para termos que o pilar já cobria foram descartadas, e esses termos receberam mais links internos apontando para a página que já existia. Criar página nova para cada variação de palavra-chave é o jeito mais rápido de fazer o site competir com ele mesmo.
Os dez artigos vazios foram preenchidos primeiro. O do termo de 3.600 buscas virou um guia técnico completo, no lugar do "em breve".
Os números, mês a mês
Maio, o primeiro mês, já mostrou o padrão. Os cliques cresceram 87,5% sobre abril, a taxa de clique subiu de 1,1% para 2,6% e as palavras-chave com posição passaram de 9 para 23. As impressões caíram 23,5% no mesmo período, e isso assustaria quem lê relatório pela primeira linha. A queda veio da saída de buscas genéricas, que apareciam e não traziam ninguém. Quem passou a ver o site clicava 2,4 vezes mais.
Agosto contra julho: 77% mais cliques, 84% mais impressões e posição média de 7,5 para 6,7. No GA4, usuários cresceram 103% e sessões 110%. A busca orgânica respondeu por 56% das sessões, o tráfego direto por 24% e os assistentes de IA por menos de 1%. É pouco, mas foi o primeiro mês em que esse canal apareceu.
Um número piorou: a taxa de clique de agosto caiu 0,1 ponto, porque as impressões cresceram mais rápido que os cliques. É o próximo ajuste da lista, reescrevendo título e descrição das páginas que ganharam visibilidade.
O que eu levaria para qualquer empresa B2B
Medir vem antes de qualquer verba. Dois anos de anúncio sem conversão registrada podem até ter sido bons anos. Ninguém sabe, e esse é o problema. A correção custou poucos dias e mudou a decisão do mês seguinte.
Procure o que está quebrado antes de produzir mais. Formulário que não entrega e página vazia no sitemap não aparecem em painel de tráfego; aparecem quando alguém testa o site como cliente.
Conte o WhatsApp. No B2B brasileiro, ele carrega a maior parte da demanda. Relatório que não o mede subestima o site e superestima o anúncio.
E organize o conteúdo por intenção antes de aumentar o volume. Com noventa artigos soltos, um disputa busca com o outro. Presos a pilares, eles se ajudam.
O que este case não prova
Quatro meses é pouco para separar com rigor o efeito de cada mudança. Conteúdo novo amadurece sozinho, e parte do crescimento de agosto viria de artigos publicados em junho e julho de qualquer forma. A busca também passou por um core update em maio, que afetou o mercado inteiro.
O que o caso mostra com segurança é a diferença entre operar no escuro e operar medindo. Em abril ninguém sabia quantos contatos o site gerava. Em agosto a resposta era 84, com o canal e o custo de cada um.
Se a sua empresa vende serviço técnico e quer entender por onde começar, o caminho que sigo está na página de SEO estratégico. O outro case deste mês, de uma migração de site que derrubou o tráfego sem perder conteúdo, está em a queda de 83% que não era culpa do conteúdo.